Pousa


Pousa, era o lugar ou habitação onde o cobra­dor de foros reais devia pousar e receber manti­mentos. Pousa é igual a pousada e modernamente a turismo. Vem do latim pausa, da expressão pausam facere ou pausam dare, significando dar agasalho ou dar descanso.      
    O verdadeiro nome da freguesia era: Santa Cristina de Ulgoso da Pousa. Ulgoso, terra de urze igual a urgueira, urzal, ur­zeira, urgal, que no português arcaico deu Algo­so, adaptado a seguir, pelo povo.
   Há alguns anos formou-se uma lenda, dando à palavra Algôs o mesmo sentido da de carrasco, no significado de executor de pena de morte. Para a maior parte da gente, a Pousa, teria dado um tal personagem, nada simpático e por isso a freguesia nunca daria sacerdotes à Igreja. Poderia haver seminaristas, mas nunca chega­riam ao fim; mais cedo ou mais tarde ficariam pelo caminho, ou doentes ou até morreriam. O Povo, sabia que ter sido carrasco (algôs) era impedimento, ainda actualmente é, para rece­ber ordens sacerdotais. De Algôs, personagem indi­vidual, facilmente se passou a acrescentar também a própria terra que teria tal castigo.
    Para outros, eram menos os que assim pen­savam, a palavra «Algôs» foi acrescentada a Santa Cristina da Pousa, por haver, perto da Falperra a freguesia de Santa Cristina de Longos. As duas freguesias seriam mais conhecidas pelo nome da padroeira, Santa Cristina, e para não haver confu­são, quando se falasse da Pousa, dizia-se, S. Cris­tina de Algoso.




Devido à falta de registos, não é possível datar quando é que a freguesia de S. Cristina da Pousa, então sem a Reguela, começou a ter a sua paroquial.
    A tradição oral indica que seria uma pequena ermida em frente da fonte do lugar do Outeiro na Bouça na qual existia um Cruzeirinho que os mais antigos reconheceram e recordam com saudades.
    A igreja anterior à actual ficava dentro do espaço da actual virada ao contrário desta, como mandava a liturgia, sendo a porta principal mais ao menos no sítio da Tribuna e altar mor de agora, metro e meio acima do nível do Cemitério.
    A porta principal da Igreja ficava em frente da do Cemitério da qual se descia por umas escadas de pedra fazendo arco.
    Tinha campanário igual ao da Capela da Senhora da Esperança e uma sacristia. Desta igreja diz T. Fonseca em Barcelos Áquem e Além Cavado na p. 310:
    “A matriz de Santa Cristina do Ulgoso, situada no mesmo sítio onde hoje está a actual, era pequeníssima, sofrendo obras de reforma e ampliação há cerca de cem anos. Não obstante estas, ficou assim um templo exíguo paras necessidades do culto.
    A fachada singela, amparada do lado direito por um velho torreão com um único sino, e enfim todo o conjunto, na sua arquitectura simples, nada tem que nos enleve.
    O seu interior rescende, porém, a asseio e lim­peza, o que mostra bem o zêlo do seu pároco e a devoção dos fregueses».
    Quando esta obra foi escrita era abade o sr. Padre Joaquim Firmino Gomes.
    No ano de 1912-1914 foi enriquecida com o au­mento da sacristia, reparação dos altares e adqui­rida a nova Pia do Baptismo a qual passou para a nova igreja e tem esta inscrição: «Offerecida pela Família Leal». Foi inaugurada no dia de S. Pedro e o primeiro baptizado foi o de Maria da Deveza. A antiga Pia foi parar a casa do agricultor António Martins da Silva.
    Na Torre foi colocado outro sino, ficando o torreão em tudo igual ao da Capela e não se sabe qual o que serviu de modelo ou o mais antigo.
    Pelo Tombo de 1548 sabe-se que a igreja de S. Cristina de Algozo já era no mesmo sítio de agora e que estava rodeada a sul pela Residên­cia Paroquial e por cobertos que ocupavam o lugar do Salão Paroquial. Estes começaram a ser destruídos para o aumento da sacristia da igreja velha, acabando totalmente quan­do se iniciaram as obras do Salão em 1950. Ocupa­vam uma grande área e davam a entender terem sido casa de caseiros das terras do Passal.
    Há 150 anos a igreja velha foi ampliada e a nível de curiosidade convém referir que também foi uma senhora que pagou as despesas.
    Em 1936 foi derrubada para dar lugar ao mo­numento que é a igreja de Pousa. Esta ocupou, por ser grande, parte do Adro.



















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CRUZEIRO PAROQUIAL

Tem esta inscrição na frente virada para a Igreja:


FEITO
A EXPENSAS DAS
GRANDES  BENFEITORAS
D'ESTA FREGUEZIA
AS EX.MAS SNR.AS
D. JOAQUINA LOPES LEAL
           E IRMÃS
                     1921

  
     Foi construído no coberto da casa Mutena pelo mestre e custou 2.500$00.
     Serviu de modelo o Cruzeiro de Tibães.
Estava situado junto ao actual escadório do lado direito de quem sobe para a Igreja. Quando aí fora colocado ainda a igreja era a velha e ficava no princípio da avenida que lhe dava acesso.
Estava, esta avenida, rodeada por um muro do Passal o qual continha as catorze cruzes da via-sacra.
Este local foi transformado, as cruzes desa­pareceram.
Em 1955 o cruzeiro foi transferido para o sítio onde está por ser melhor e isto à custa do Sr. Dr. Edmundo Barbosa que gastou 10.000$00.

                


CAPELA DE NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA

     Qual a data da sua fundação?
    Sabe-se apenas que é antiga e deve ter sido reconstruída e aumentada nos fins do século XVIII.
    O altar actual e tribuna substituiu o antigo de talha de Renascença. Na mesma ocasião foram-se também dois Querubins estilo da mesma época.
    O empreiteiro do altar fez umas estrelinhas muito lindas, um azul em volta da Senhora, pintou a figura imaginativa de dois anjinhos, fundo em branco, uma talha pobríssima com douramentos e toda a gente ficou a dizer, que maravilha!
    Assim justificou ele o poder ficar com o velho. Isto passou-se pelos anos de 1880.
    No Trono está colocada num oratório a Pa­droeira, Senhora da Esperança cuja imagem pa­rece mais uma Orante ou Senhora do Ó ou Expec­tação protegida por um precioso manto azul.
    No lado direito num pequeno oratório está um S. Fortunato. À esquerda uma imagem peque­nina da Senhora da Esperança.
    O Altar-mor é em forma de Túmulo e contém dentro uma preciosa imagem do Senhor da Boa Morte, deitado numa espécie de esquife coberto por um manto diáfano. A frente é em vidro e tem um letreiro a dizer: Senhor da Boa Morte.
    Reza uma tradição, ter pertencido ao Mosteiro de Tibães e quando os da Pousa compraram o altar a essa igreja ficaram também com o Senhor, di­zendo que comprando o altar, compraram tudo o que nele estava.
    Tem Púlpito e Coro e o tecto em castanho é ornado com uma tela de Nossa Senhora. A Sacris­tia é ampla. Ao Torreão sobe-se por umas escadas exteriores de pedra que são comuns até ao coro.
    Está muito limpa e tem sido reparada várias vezes e enriquecida com grandes melhoramentos.
    Uma placa de mármore junto à porta da sacristia diz:


                               “MANDADA ASSOALHAR,
                                       ESTA CAPELA
                                    A EXPENSA DAS
                                GRANDES BENFEITORAS
                              D. JOAQUINA LOPES LEAL
                              E SUAS IRMÃS
                         POUZA 16 DE AGOSTO DE 1925”

















CAPELINHA DO SENHOR DOS MILAGRES

    A capela do Senhor dos Milagres estava junto da entrada do Caminho que vai para a Aldeia, perto da casa do Sr. Amadeu Fer­reira Loureiro, no lugar de Amproa.
    Foi destruída quando se fez a estrada dando lugar à actual Capelinha que é linda e tem a data de 1908.
   Preside uma Cruz, com a pintura do Senhor, em cima dum pequenino altar. Tudo nesta Capela é elegante e é com respeito que a gente desta fre­guesia passa na sua frente.
   Esta capelinha foi restaurada recentemente, Abril de 2006, tendo ficado muito bonita